domingo, 17 de maio de 2026

Arcanos Menores no livro “Jung e o Tarô: Uma Jornada Arquetípica”, Sallie Nichols

Na obra “Jung e o Tarô: Uma Jornada Arquetípica”, Sallie Nichols foca quase inteiramente nos 22 Arcanos Maiores (que ela chama de "Trunfos" ou Atouts). Mas sobre Arcanos Menores, de acordo com o pensamento de Carl G. Jung e a análise da autora, o livro traz as seguintes menções e significadores para os Arcanos Menores:

Os Quatro Naipes e as Funções Psíquicas de Jung
Logo no primeiro capítulo ("Introdução ao Tarô"), Nichols explica que os quatro naipes tradicionais — Bastões, Taças, Espadas e Moedas (que evoluíram para Paus, Copas, Espadas e Ouros) — correspondem diretamente às quatro funções psicológicas da tipologia de Jung:

Bastões (Paus): Intuição.
Taças (Copas): Sentimento.
Espadas: Pensamento.

Moedas (Ouros): Sensação (o contato com a realidade física e material).

As Cartas da Corte como Estágios do Animus
No capítulo dedicado ao Arcano V (O Papa), a autora utiliza os estudos de Emma Jung ("Animus e Anima") para ilustrar como as figuras da corte dos Arcanos Menores (Rei, Rainha, Cavaleiro e Valete) simbolizam os diferentes estágios de evolução do Logos e do Animus (o princípio masculino inconsciente na psique de uma mulher).
De acordo com o texto, o Animus evolui em quatro fases externas e internas, representadas por essas figuras:

O Mago (Pajem / Valete): Representa a primeira fase, que é a do poder dirigido.

O Cavaleiro: Representa a segunda fase, personificada pela ação (que mais tarde amadurece na força direcionada do herói na carta do Carro).

O Imperador (Rei): Representa a terceira fase, associada à palavra, à ordem e à estruturação da lei.

O Papa: Representa a quarta e última fase, que é a da significação profunda e sabedoria espiritual.

O Resgate do Cavaleiro

Nichols dá uma atenção especial ao Cavaleiro como figura de transição. Ela observa com pesar que o baralho comum de jogar (comum no século XX e XXI) manteve apenas o Rei, a Rainha e o Valete, "desaparecendo misteriosamente" com o Cavaleiro. Para a autora, o Cavaleiro dos Arcanos Menores é de extrema importância psicológica, pois ele monta um cavalo fogoso e representa o espírito de indagação, a cortesia, o propósito sincero e a coragem necessários para que o indivíduo tenha sucesso em sua jornada de individuação.

Cartas Menores como Projeções Psicológicas Atuais

No capítulo final ("Ao Deitar as Cartas"), a autora adverte contra a interpretação literal ou puramente divinatória dos Arcanos Menores (como prever o futuro ou achar que uma carta física é uma pessoa real externa).
Ela usa o Cavaleiro de Espadas como exemplo. Em uma leitura, ver o Cavaleiro de Espadas avançando com uma lança não significa que alguém vai atacar você fisicamente no futuro. Psicologicamente, ele atua como um espelho de uma experiência subjetiva interna (uma agressividade inconsciente sua ou a projeção de um complexo baseado em feridas do passado que você precisa modificar e integrar em seu próprio comportamento).
 

Em resumo: No sistema de Sallie Nichols, os Arcanos Menores não recebem significados divinatórios de "adivinhação de sorte". Eles servem como ferramentas tipológicas (as funções psíquicas nos naipes) e como personificações de dinâmicas internas (como os níveis de amadurecimento do Animus e da Sombra) que auxiliam o Ego a trilhar o caminho maior desenhado pelos 22 Arcanos Maiores

 

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